Pular para o conteúdo
Caderno de Campo
  • Produção agropecuária
  • VBP
  • Regiões
  • Minas Gerais

Onde o agro mais cresceu na última década

Valor da produção por estado, de 2016 a 2025, já descontada a inflação: quem subiu, quem parou e quanto do crescimento de Minas é café.

Por Equipe de Pesquisa Nexus 9 min de leitura

Ilustração em traço minimalista: o contorno do Brasil desenhado com sulcos de plantio em grafite, com três brotos em amarelo no centro e no norte.

Quando alguém diz que o agro cresceu, a pergunta útil é outra: onde, quanto e puxado por quê. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publica, estado por estado, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP). A série permite comparar dez anos de dados já descontada a inflação. Aqui usamos 2016 a 2025 para montar três rankings (crescimento percentual, reais somados e regiões). Minas Gerais entra em todos, sem tratamento especial.

A conclusão sem filtro cabe em duas frases. O crescimento do agro brasileiro foi real e puxado pelo Centro-Oeste: Mato Grosso responde por 19% do aumento do total nacional publicado pelo MAPA, com 14% do valor de 2016. E o crescimento de Minas Gerais, acima da média do país, tem no café o seu peso central: de 30% a 54% do aumento, conforme o recorte, e 51% na comparação direta de 2016 com 2025.

O que o VBP mede, e por que a inflação muda a manchete

O VBP é a produção de lavouras e pecuária multiplicada pelos preços recebidos pelo produtor. Não é faturamento de revenda, lucro de produtor nem PIB. É o tamanho da produção, em reais. O MAPA publica uma versão em valores reais, deflacionados pelo IGP-DI da FGV, para que um real de 2016 e um real de 2025 possam ser comparados. Na edição de dezembro de 2025, usada aqui, tudo está em reais daquele mês, e o valor de 2025 é preliminar.

Sem esse ajuste o número engana. Em valores nominais, o VBP do Brasil foi de R$ 515,6 bilhões em 2016 para R$ 1.427,5 bilhões em 2025, alta de 176,9%. Em valores reais, a alta é de 50,8%: de R$ 941,3 bilhões para R$ 1.419,3 bilhões. A distância entre as duas manchetes é a inflação do período.

Ranking por crescimento percentual

O que o dado mostra

Entre 2016 e 2025, 24 dos 27 estados cresceram em termos reais, medidos pelo deflator do MAPA. Os maiores percentuais vêm de estados que partiam de base pequena ou de uma cultura em expansão: Piauí (+231,7%, de R$ 3,4 bi para R$ 11,2 bi), Roraima (+203,3%), Amazonas (+188,7%), Espírito Santo (+154,0%) e Sergipe (+140,8%). No Piauí, a soja respondia por 64% do valor em 2025. No Espírito Santo, o café somava R$ 29,5 bi dos R$ 37,8 bi do estado, 78% do total.

Mato Grosso, o maior produtor, aparece em 10º, com +71,0%. Minas Gerais está em 16º, com +57,5% (de R$ 106,6 bi para R$ 167,8 bi). Na outra ponta ficam Santa Catarina (+16,4%), Rio Grande do Sul (−2,0%), Amapá (−12,8%) e Distrito Federal (−33,9%). São Paulo, o 1º colocado em 2016, cresceu 18,0%.

Escolher o ponto de partida muda posições. Pela média de 2016 a 2018 contra a de 2023 a 2025, o topo vira Roraima, Piauí, Sergipe, Espírito Santo e Tocantins, e o Rio Grande do Sul fica em 25º (+4,1%). Minas Gerais é o caso mais sensível: 16º com base em 2016, 13º pela média de três anos (+48,9%, contra +40,5% do Brasil) e 9º com base em 2017 (+71,2%, contra +49,7%). Nas três, cresceu acima do país.

Crescimento do valor da produção por estado, 2016 a 2025

Variação real (descontada a inflação pelo IGP-DI), em %. Minas Gerais em destaque.

-50050100150200250Piauí231,7%Roraima203,3%Amazonas188,7%Espírito Santo154,0%Sergipe140,8%Rondônia121,7%Tocantins111,0%Maranhão98,4%Pará76,1%Mato Grosso71,0%Mato Grosso do Sul62,6%Goiás60,9%Bahia58,3%Pernambuco58,3%Rio Grande do Norte58,0%Minas Gerais57,5%Paraná34,3%Acre28,6%Paraíba24,9%Alagoas21,0%Ceará18,5%São Paulo18,0%Rio de Janeiro16,6%Santa Catarina16,4%Rio Grande do Sul-2,0%Amapá-12,8%Distrito Federal-33,9%

Fonte: MAPA/DAEP/SPA, VBP regional (edição dez/2025). Cálculo Nexus.
Ver os dados em tabela
Crescimento do valor da produção por estado, 2016 a 2025 (%)
EstadoVariação real 2016-2025 (%)
Piauí231,7%
Roraima203,3%
Amazonas188,7%
Espírito Santo154,0%
Sergipe140,8%
Rondônia121,7%
Tocantins111,0%
Maranhão98,4%
Pará76,1%
Mato Grosso71,0%
Mato Grosso do Sul62,6%
Goiás60,9%
Bahia58,3%
Pernambuco58,3%
Rio Grande do Norte58,0%
Minas Gerais57,5%
Paraná34,3%
Acre28,6%
Paraíba24,9%
Alagoas21,0%
Ceará18,5%
São Paulo18,0%
Rio de Janeiro16,6%
Santa Catarina16,4%
Rio Grande do Sul-2,0%
Amapá-12,8%
Distrito Federal-33,9%

Leitura da Nexus

Percentual alto com base pequena é manchete, não mercado. Piauí, Roraima e Amazonas somaram juntos R$ 13,8 bilhões em nove anos, menos do que Goiás somou sozinho (R$ 46,0 bi). Para quem vende insumo ou serviço, o percentual diz onde um mercado está se formando. O valor absoluto diz onde ele já existe.

Quem somou mais reais

O que o dado mostra

Em valores absolutos, o ranking muda de cara. Mato Grosso somou R$ 91,5 bilhões, 19,1% do aumento do total nacional (R$ 478,1 bi). Minas Gerais vem em segundo, com R$ 61,2 bi (12,8%), seguida de Goiás (R$ 46,0 bi), Paraná (R$ 40,4 bi) e Mato Grosso do Sul (R$ 30,7 bi).

O pódio de tamanho também mudou. Em 2016 a ordem era São Paulo (R$ 140,4 bi), Mato Grosso (R$ 128,9 bi), Paraná, Minas e Rio Grande do Sul. Em 2025 é Mato Grosso (R$ 220,4 bi), Minas Gerais (R$ 167,8 bi), São Paulo (R$ 165,6 bi), Paraná e Goiás. A margem de Minas sobre São Paulo é de 1,3%. Na edição de agosto de 2026 da mesma série, o valor de 2025 foi revisado e a margem caiu para 0,5%, ainda com Minas na frente.

Os 10 estados que mais somaram valor de produção, 2016 a 2025

Aumento real em R$ bilhões (preços de dez/2025). Minas Gerais em destaque.

020406080100Mato GrossoR$ 91,5Minas GeraisR$ 61,2GoiásR$ 46,0ParanáR$ 40,4Mato Grosso do SulR$ 30,7São PauloR$ 25,3Espírito SantoR$ 22,9BahiaR$ 21,9ParáR$ 19,2RondôniaR$ 17,3

Fonte: MAPA/DAEP/SPA, VBP regional (edição dez/2025). Cálculo Nexus.
Ver os dados em tabela
Os 10 estados que mais somaram valor de produção, 2016 a 2025 (R$ bilhões)
EstadoAumento real 2016-2025 (R$ bilhões)
Mato GrossoR$ 91,5 bilhões
Minas GeraisR$ 61,2 bilhões
GoiásR$ 46,0 bilhões
ParanáR$ 40,4 bilhões
Mato Grosso do SulR$ 30,7 bilhões
São PauloR$ 25,3 bilhões
Espírito SantoR$ 22,9 bilhões
BahiaR$ 21,9 bilhões
ParáR$ 19,2 bilhões
RondôniaR$ 17,3 bilhões

Leitura da Nexus

Os estados que mais somaram valor concentram os maiores caixas de compra de insumo, máquina e serviço, e também a concorrência mais pesada entre revendas e prestadores. O segundo lugar de Minas é real, mas é estreito: tratá-lo como vantagem garantida seria ler mais do que o dado diz.

As cinco regiões

O que o dado mostra

Somando os estados de cada região, o crescimento real de 2016 a 2025 foi de 97,5% no Norte, 67,1% no Nordeste, 65,3% no Centro-Oeste, 41,4% no Sudeste e 17,4% no Sul. O total do Brasil, como o MAPA o publica, cresceu 50,8%. Em participação, o Centro-Oeste foi de 27,7% para 31,2% do valor, enquanto o Sul caiu de 29,0% para 23,2%. Só o Centro-Oeste acrescentou R$ 167,3 bi, 38,8% do aumento somado dos estados.

O detalhe está dentro do Sul. As lavouras da região encolheram 6,7% em termos reais (de R$ 166,0 bi para R$ 154,8 bi), enquanto a pecuária cresceu 56,5% (de R$ 102,2 bi para R$ 159,9 bi). Em 2025, pela primeira vez nos dez anos da série, a pecuária do Sul vale mais que as lavouras.

Crescimento do valor da produção por região, 2016 a 2025

Variação real (IGP-DI), em %. Regiões = soma dos estados; Brasil = total publicado pelo MAPA.

02040608010097,5%Norte67,1%Nordeste65,3%Centro-Oeste41,4%Sudeste17,4%Sul50,8%Brasil (total doMAPA)

Fonte: MAPA/DAEP/SPA, VBP regional (edição dez/2025). Cálculo Nexus.
Ver os dados em tabela
Crescimento do valor da produção por região, 2016 a 2025 (%)
RegiãoVariação real 2016-2025 (%)
Norte97,5%
Nordeste67,1%
Centro-Oeste65,3%
Sudeste41,4%
Sul17,4%
Brasil (total do MAPA)50,8%

Leitura da Nexus

O mapa do agro se deslocou para o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste, mas o Sul continua sendo a terceira maior região, com R$ 314,7 bi. O que mudou lá foi o motor: menos lavoura, mais pecuária. Revenda e prestador do Sul que miram só a lavoura estão olhando para um mercado que, descontado o IGP-DI usado pelo MAPA, encolheu 6,7% na década. O sinal depende do deflator (ver Método).

Minas Gerais na conta

O que o dado mostra

Minas passou de 4º para 2º maior valor de produção do país, cresceu acima da média nacional (+57,5% contra +50,8%) e ampliou a participação no total do Brasil, de 11,3% para 11,8%. O café explica boa parte desse resultado, e quanto exatamente depende do recorte. Na planilha do estado, o café passou de R$ 27,6 bi em 2016 (25,9% do VBP mineiro) para R$ 58,7 bi em 2025 (35,0%) e respondeu por R$ 31,1 bi dos R$ 61,2 bi de aumento, 50,8% do total. Com a conta começando em 2017, a fatia é de 53,8%; pela média de três anos, de 37,5%; e, se a conta parar em 2024, antes do salto do café, de 30,0%.

Tirando o café das duas pontas, Minas deixa de crescer acima do país: 38,2% contra 45,5% do Brasil sem café (base 2016), 41,9% contra 43,4% (base 2017) e 40,2% contra 37,9% (médias de três anos). Entre as outras cadeias, a soja subiu 82,9% (R$ 10,3 bi para R$ 18,8 bi), os bovinos 74,4%, o leite 40,1% e o milho 8,8%.

O café mineiro oscilou muito: R$ 17,1 bi em 2019, R$ 40,0 bi em 2024 e R$ 58,7 bi em 2025, um salto de 46,9% em um ano.

Leitura da Nexus

O arquivo do MAPA não separa preço de quantidade, então não dá para dizer quanto desse salto é safra e quanto é cotação. Dá para dizer que ele é recente e que o estado ficou mais exposto a uma cultura. A média de Minas esconde duas realidades: a do cafeicultor, em ano forte, e a de quem atende cadeias que cresceram menos, como milho e leite. Sem o café, na base 2016, Minas cresce 38,2%, contra 45,5% do Brasil sem café; nas outras duas janelas, a diferença é de −1,5 e +2,3 pontos. O sinal depende do recorte. Revenda e prestador mineiro que olha só a média do estado vai errar para um dos dois lados.

Um limite vale para o Brasil inteiro: no total das lavouras, o índice de volume do MAPA subiu 40,5% entre 2016 e 2025, e o valor real, 48,3%. A diferença é compatível com efeito de preço e de composição entre culturas. Crescimento de VBP não é, sozinho, crescimento de compra de insumo.

O que fazer com isso na sua revenda ou no seu serviço

O dado não diz onde abrir loja. Diz onde há mais produção valendo mais e onde a disputa é acirrada. Três usos práticos. Primeiro, olhe a cadeia que domina a sua região, não a média do estado. Segundo, em região que cresceu muito, pode haver produtor novo ou em expansão ainda sem fornecedor fixo, e a primeira conversa pesa. Terceiro, em região que cresceu pouco, o crescimento da sua empresa vem de ocupar o espaço de outra, e isso depende de ser lembrado na hora em que o produtor decide, antes de o vendedor chegar.

Se você quer saber em que ponto da decisão do produtor a sua empresa aparece hoje, Faça o diagnóstico de 3 perguntas.

Fontes

  1. MAPA, VBP regional por UF, edição dezembro/2025 (principal): 202512VBPREGIONAL.xlsx (abre em nova aba). Acesso em 03/10/2026.
  2. MAPA, VBP Brasil, edição dezembro/2025: 202512VBPBRASIL.xlsx (abre em nova aba). Acesso em 03/10/2026.
  3. MAPA, VBP regional por UF, edição agosto/2026 (conferência): 202608VBPREGIONAL.xlsx (abre em nova aba). Acesso em 03/10/2026.
  4. MAPA, página do VBP (nota sobre o deflator): gov.br/agricultura, VBP (abre em nova aba). Acesso em 03/10/2026.

Método e limitações

  • Série e deflator. Valores reais do MAPA (IGP-DI da FGV, base dezembro/2025), abas "VBP Brasil" e de cada UF. Variação = valor de 2025 dividido pelo de 2016, menos 1. O valor de 2025 é preliminar e pode ser revisado.
  • Ponto de partida. 2016 foi um ano fraco para as lavouras do país (o índice de volume do MAPA caiu 5,8%), o que favorece a variação nacional. Testamos médias de três anos e a janela 2017 a 2025. Na edição de agosto/2026 (2017 a 2025), os mesmos dez estados formam o topo do ranking, com Mato Grosso e Rondônia trocando de lugar. A posição de Minas vai de 9º a 16º, e a fatia do café, de 30,0% a 53,8%.
  • Deflator. O MAPA usa o IGP-DI. Com outro índice (o IPCA, por exemplo), as quedas reais, como as das lavouras do Sul, do Rio Grande do Sul, do Amapá e do Distrito Federal, podem mudar de sinal. O ranking de variação percentual entre estados não depende do deflator, que é o mesmo para todos. Não publicamos recálculo com outro índice, por falta de série oficial no arquivo do MAPA.
  • Soma dos estados e total do Brasil. A soma das 27 UFs (R$ 1.355,0 bi em 2025) fica abaixo do total Brasil do MAPA (R$ 1.419,3 bi), em boa parte por causa do milho (R$ 30,0 bi dos R$ 64,3 bi); a planilha não explica a diferença. As regiões usam a soma das UFs, como o ranking regional do MAPA; as participações por estado usam o total Brasil.
  • O que o VBP não é. Não mede margem, compra de insumos nem faturamento de revenda. Mistura quantidade e preço.
  • Café em Minas. Vem da aba "MG". O total de 2016 dessa aba (R$ 106,52 bi) difere em 0,04% do da aba "VBP Brasil" (R$ 106,56 bi).
  • Cálculos. Percentuais e diferenças são da Nexus, com uma casa decimal. Cada número está na tabela de conferência.

Leia também